As figurinhas, os leopardos e a Copa do Mundo de Futebol
- Beto Scandiuzzi

- 29 de mai.
- 3 min de leitura
Minha netinha Yayá, nove anos, sabe mais de futebol do que eu nesta idade. E nem falar do irmão, Fefo, treze anos, tricolor roxo, jogador exímio do Playstation e que entende muito mais. Com nove anos, as poucas informações futebolísticas que me chegavam, vinham pelas mãos do meu cunhado t

entando me agradar e ficar bem com minha irmã. Por ele, eu já sabia que existia um time que usava camisas nas cores preta e branca, que havia sido campeão do 4° Centenário da cidade de São Paulo e que estaria por todo o sempre no meu coração.
E foi comigo nesta idade que se jogou a Copa do Mundo de Futebol de 1958 na Suécia. Soube dela graças a um álbum que este mesmo cunhado me regalou. Trazia, sem cromos, as fotos dos jogadores e das seleções dos dezesseis países participantes. Dos sul-americanos estavam Brasil, Argentina e Paraguai. Não sei por que, mas deste álbum ficou registrada na memória apenas a foto da seleção do Paraguai, naquela formação clássica, com camisas em listras verticais nas cores vermelha e branca e calções azuis.
Eu não sabia, mas os álbuns de figurinhas acompanharam de alguma forma, oficiais ou não, todas as copas do mundo de futebol, incluindo a última do Catar, arrastando marmanjos e pequenos, mamães, avós, tios, numa corrida alucinante em busca das figurinhas que completam o álbum. O de 2026 já está a caminho para júbilo de todos.
Contam que o primeiro álbum nasceu no mundial da França de 1938, mas o primeiro, oficial, a circular no país, primeiro do pós-guerra e de más recordações, foi o de 1950, jogado no Brasil e vencido pelo Uruguai numa final contra o próprio Brasil. As figurinhas vinham acompanhadas com uma bala que, segundo comentários da época, era de má qualidade, detalhe sem importância para os aficionados.
Passado aquele álbum de 1958, não me lembro deles nos mundiais seguintes de 1962, 1966, 1970. Nos dois primeiros, eu era um adolescente com pouca grana e este pode ter sido o motivo para não os ter. No de 70, pode ser que estivesse distraído com outras coisas alheias ao futebol. O certo é que recordações nenhum deles deixou.
O mundial de 1974 disputado na Alemanha, já me encontraria formado e no primeiro emprego numa multinacional alemã. O fato aguçou minha curiosidade e com um colega de trabalho, descendente de alemães, montamos um álbum. Ao final da copa, decepcionado com a derrota do Brasil, decidi que o álbum ficaria com ele. Nada mais justo, a Alemanha havia saído campeã vencendo na final o carrossel holandês, que com um futebol surpreendente e envolvente merecia ficar com o título.
Poucos dias antes do início daquela copa, o brasileiro João Havelange seria eleito presidente da Fifa onde reinaria por 24 anos mudando a história do futebol mundial. Este fato me trouxe tranquilidade, afinal pensava eu, nenhum juiz vai tentar roubar do time do presidente. Não foi necessário, o Brasil com uma equipe irregular, sem brilho, Pelé aposentado, seria eliminado pela Holanda nas semifinais e perderia a disputa pelo terceiro lugar para a Polônia, sem muita história em mundiais e jogadores com nomes que deixavam os narradores esportivos enlouquecidos: Szymanowski, Maszczyk, Kasperczak, Omikieicz.
De bom, a vitória suada sobre a Argentina, depois de uma classificação sofrida na fase de grupos com um 3x0 sobre o Zaire, que hoje se chama RD do Congo, que perdeu todas as partidas, não marcou nenhum gol e os jogadores terminaram brigados entre si por causa do prêmio prometido pela federação de seu país. Neste time jogava Mulamba, craque do time, artilheiro, o leopardo mais feroz, das figurinhas mais difíceis de conseguir e único que me ficou na lembrança.
N.A.: O Zaire foi o primeiro país da África Subsaariana a disputar uma Copa do Mundo. Como RD do Congo e depois de 52 anos jogará o Mundial de 2026. “Os Leopardos” é como é chamada carinhosamente a seleção nacional.

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O Beto como excelente escritor que é está sempre atento aos assuntos do momento como a COPA do Mundo e as figurinhas dos jogadores de todas as seleções. E o faz se um modo MARAVILJOSO.Parabéns Beto.